25 de julho de 2009

nota

O mar está aqui justo à frente, enorme, calado. Há um porto logo ali, onde entram e saem barcos de todos os tamanhos. Ao fundo vê-se uma vela, alguns pássaros. O mar é dinâmico como a vida. De cá, parece um chão mole, azul. Difícil entender por que, vistas de longe, as pessoas se amontoam em sua borda. Devia haver mais pessoas do lado do azul. Talvez um extraterrestre desavisado pensasse assim.

Vejo o mar, ele esteve quase sempre ali e eu acabo de chegar. Sua superfície esconde segredos de outro mundo. Dentro do mar há outro mundo acontecendo, a despeito deste de fora. O último em detrimento daquele, mas algas não param, os grandes tubarões e mínimas esponjas não param. Os coletivos de animais invisíveis da noite do mar seguem vivendo e impondo reflexões metafísicas a quem lembra de suas existências.

Olho o mar, e um pouco de sentir-me olhada por ele vem um calafrio. Olho-o com deslumbramento que me envergonho da miniatura de carne que guarda meu espírito, esse quiçá ainda menor que sua embalagem. Perto do mar somos tão pequenos. Mesmo se eu quisesse não poderia meu espírito navegar em alto-mar, por medo. Por respeito, quem sabe. O mar é a encarnação secreta de Deus.

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