5 de março de 2010

gestalt

Vinha dormindo tarde, só depois de todos os seus afazeres. Afazeres são luxuosos quando dormem antes de quem os têm. Check list vencido, quase todo, todo dia. Aqueles ítens que ficaram faltando hoje, repetiam no check list de amanhã, mas no de hoje dá ok, dá ok. Tarde significava quatro, cinco da manhã. Tarde significava nunca.

Mas aí durante a manhã se redimia. Acordava só pra almoçar, onze, doze, uma hora. Ligava não. Banho demorado, horas de cremes, perfumes, testar mil colares, decidir por um lenço, sair de casa e olhar pro trânsito. Que maravilha. Sinal fechado é tempo de abrir o check list do dia. E outro dia ia render por umas dezoito horas.

À noite vinha chegando em casa cansada, suja, tranquila. Está-se tranquilo frequentemente quando se se suja de trabalho. Uma noite ela olhou no espelho. Gozado. Sentiu que não tinha no mundo alguém a quem devesse perdir perdão. Se era ou não verdade, virou.

5 comentários:

  1. Engraçado. Estou continuamente pedindo perdão. Comecei a achar que pedir perdão é imprescindível para a vida social. Não só pedir perdão, mas realmente querer ser perdoado.

    Assim, bem judeu mesmo, sabe?

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  2. Olá, desculpe invadir seu espaço assim sem avisar. Meu nome é Fabrício e cheguei até vc através do Fabrício Carpinejar. Bom, tanta ousadia minha é para convidar vc pra seguir meu blog Narroterapia. Eu sei que é um abuso da minha parte te mandar essa propaganda control c control v, mas quem escreve precisa de outro alguém do outro lado, além sinceramente gostei do seu comentário e do comentário de outras pessoas. Estou me aprimorando, e com os comentários sinceros posso me nortear melhor. Dei uma linda no seu texto, vou continuar passando por aqui...rs



    Narroterapia:

    Uma terapia pra quem gosta de escrever. Assim é a narroterapia. São narrativas de fatos e sentimentos. Palavras sem nome, tímidas, nunca saíram de dentro, sempre morreram na garganta. Palavras com almas de puta que pelo menos enrubescem como as prostitutas de Doistoéviski, certamente um alívio para o pensamento, o mais arisco dos animais.


    Espero que vc aceite meu convite e siga meu blog, será um prazer ver seu rosto ali.


    Abraços

    http://narroterapia.blogspot.com/

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  3. Se... Era verdade ou não...
    Espelhos como esse quase nunca refletem o que está do lado de dentro. ;p

    E talvez seja lá que o perdão se faz necessário.

    ^ _ ^

    Daí fica faltando só confirmação. De onde? De quem?

    De um bom Espelho, ora essa. Um desses feito de carne e osso.

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  4. se era verdade ou não, preferiu não encarar a dúvida. deixando a inércia tomar conta novamente.

    ei, cadê você? eu preciso saber da sua vida!

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