5 de março de 2010

gestalt

Vinha dormindo tarde, só depois de todos os seus afazeres. Afazeres são luxuosos quando dormem antes de quem os têm. Check list vencido, quase todo, todo dia. Aqueles ítens que ficaram faltando hoje, repetiam no check list de amanhã, mas no de hoje dá ok, dá ok. Tarde significava quatro, cinco da manhã. Tarde significava nunca.

Mas aí durante a manhã se redimia. Acordava só pra almoçar, onze, doze, uma hora. Ligava não. Banho demorado, horas de cremes, perfumes, testar mil colares, decidir por um lenço, sair de casa e olhar pro trânsito. Que maravilha. Sinal fechado é tempo de abrir o check list do dia. E outro dia ia render por umas dezoito horas.

À noite vinha chegando em casa cansada, suja, tranquila. Está-se tranquilo frequentemente quando se se suja de trabalho. Uma noite ela olhou no espelho. Gozado. Sentiu que não tinha no mundo alguém a quem devesse perdir perdão. Se era ou não verdade, virou.