1 de janeiro de 2011

eutanásia

Criar um bicho e ensiná-lo do que gostamos. Às vezes maltratar o bicho, de amor, de apertos. Sacanear com o bicho às vezes esquecendo-se dele, às vezes negligenciando suas necessidades, às vezes incomodá-lo para curtir sua reação engraçadinha. Amar um bicho, atribuir a ele virtudes que todos os outros donos atribuem aos seus, saber disso e não interromper a fantasia de exclusividade de se ter o melhor dos bichos. Viajar e sentir mais saudade do bicho do que dos parentes. Comparar o bicho a outros bichos, pensar de vez em quando quanto se teria economizado na vida sem este bicho, ver filmes sobre bichos e pensar no seu. Ter de sacrificar um bicho querido. Pagar trezentos reais pela eutanásia. Ter por um bicho doente uma piedade que não devotamos aos parentes humanos mais próximos.

Amar mesmo é amar um bicho, que não nos sabe enquanto humanos, mas enquanto seus próprios, grandes, estranhos, amados bichos.

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