2 de março de 2012

vão

Havia um buraco insistente na gente 
Um limite, fronteira, risco no chão 
Coisa que dá vez em quando na terra 
Quando seca tão seca que parte em duas 

Havia um sem jeito, um quê de distância 
O silêncio pesado, a palavra esperança 
O limite da pele do ouvido que espera 
Encostada na ponta das palavras nuas 

Havia, é certo, uma tagarelice 
Um trem de povoar toda a vizinhança 
Das coisas bonitas que a gente divide 
Desertas, sozinhas e sem nome ainda 

Um quem vem falar a um outro tamanho 
É britadeira contra o chão de petróleo 
É palavra contra a natureza humana, 
selvagem, são coisas que eu colho 

Havia entre nós uma encruzilhada 
Entre o que poderia vir a ser dito 
Seu olhar e o solo 
E daí a aposta renconciliável 
Na existência e no buraco do outro 

Havia uma borda de um campo minado 
Que ao atravessá-la, 
nascia um, o outro secando 
E esse passo entre uma terra e outra 
É coisa de anos

Nenhum comentário:

Postar um comentário