21 de novembro de 2012

he cannot refuse

Te mostra, poeta, percebe
Que aquilo que tens de direito é meu
Te desenha, te canta, aquarela -
Te vira, quero teu poema que sou eu!

Poeta é coisa dos outros,
Entendes? És nosso, todo do mundo
Deves o prazer de te ler aos que
Dão-te um canto, apesar de imundo

Assume, assume tua sina
Tu és um servente desde nascido
Serves aos outros para dar-lhes
Tudo que não tens: verdade e sentido

Tua eternidade é involuntária
Por mais que a autoria te coce...
Não te enganes a ponto de crer
Que talento é coisa de tua posse!

Tu tens nada! És servo que furta
Do cofre de aço do patrão
Tu descobriste o código da roldana
Roubaste o inefável da língua padrão

Tu que psicografas o que não morreu
Tu que acordas sonho e horror
Alto-falante de cartas imaginadas
Trancadas a chaves no aparador

Tu que escancaras o ponto
Onde a linguagem evita chegar
Poeta, tu és o furtivo gatuno que
Convences deixar-te invadir o lar

Tu exploras! Exploras a todos
Que esperam, respiram por teu olhar
Espalhado com toda destreza
Nas coisas que vês e nas que não há

No entanto, este chefe te cobra
Este já não dobras, vê-se subtraído
Nos encantastes? Agora escreve
poemas até teres caído!

Pudores, tu dizes, pudores - não sou 

um bom servo, não posso escrever
Como pode o insubordinado
Natimorto se recusar a nascer?

Poeta, por bem ou por mal
Escravo e gatuno, és nossa Geni
Alforria? Diabo, hoje tu escolhes:
Escreve - ou deixas de existir

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