20 de abril de 2012

Breivik

Então Breivik mostrou-se ao júri do mundo. Bem apessoado, como um bom nazista, livra-se das algemas para cerrar o punho, bater no peito, erguê-lo em riste à altura do rosto. Dos milhares de ângulos capturados, um fotógrafo teve mais sorte e vendeu o instante de Breivik por muito dinheiro.

Mas não foi exatamente um flagra. O flagra foi do próprio Breivik. Ele explicou que a missão era também suicida, mas não conseguiram pegá-lo; aí já não é problema dele. Pegou o mundo despercebido, uma Noruega de democracia tão madura que beirava a inocência. Uma ilha sem cercas. As paredes da ilha eram estudantes de esquerda, muros que Breivik derrubou um a um, totalizando setenta e sete.


Antes desses muros havia a misogenia, uma pluralidade perigosa à completude de Breivik. Ele escutou os nomes de cada um dos mortos e feridos. Não dá pra dizer que não tenha esboçado reação: o que foi aquele cenho de dever cumprido? Não se pode dizer que não tenha sentimentos: o que dizer da emoção ao ouvir-se, como um discípulo a um mestre?


Pobre Breivik, de novo a assustar o mundo sem saber por quê: a solene petulância de quem está com a certeza, a chocante coragem de quem sairá de toda forma ileso, a invejável liberdade de quem está na loucura.