30 de setembro de 2012

mundo paralelo II

Ser-te tão perto e parecer-te
tão longe como a fonte deste rio
cujas águas conhecemos só por onde
desembocam já nas pedras do vazio

Rio que de fronte é tão vasto

que desconhecemos sua vastidão
Rio sempre nosso e sempre estranho
qual as mesmas pedras desse chão

Todo dia o vemos, nosso rio

mas suas águas são outras toda vez
heraclitamente transformado
molha não quem és, mas quem tu vês

Quem eu fui, para ti, sabem as águas

quem já sou, outra amiga e outro ser:
folclore, rio gelado que impede
a planta ribeirinha de crescer

Desde o chão duro que piso a sua beira

eu te vejo, doce amiga, a braçar
Neste rio, nadas contra a corrente
e o vences, tu que já sabes nadar

Eu não entro neste rio - meu respeito

pelo mito que ele corre me impede
Só te assisto e és doce feito ele nas
braçadas rumo ao nada em que investes

Doce amiga, tão gelada feito o rio

Perdoa a covardia de meus pés
Não deixarem tão segura margem
Pelo boto fugidio que tu és

26 de setembro de 2012

DSMemes

Mulher pode ser mistérica
obsessinta e fórica
ou esquizonofrenética

até douda loica paranunca
altista, autesta e outrista
ter transtorno de dissonalidade

Nosso olho é piscanalista:
não há DSM que resista
a tanta mulheridade

23 de setembro de 2012

5 de setembro de 2012