6 de dezembro de 2012

Oscar

Aqui tudo é estrangeiro
Da melhor qualidade:
Dono que se sabe hóspede
É que mora de verdade

Estranhamos todo o resto
Os nascidos destas curvas
Cada um dos rostos aqui é céu
Olho candango não se perturba

As formas que nos fizeram
Incomodar noventa graus
Se expandem por entre as vidas
Do nosso sereno caos

E somos todos marcados
Pelas assíndotas recortadas
Rumamos olhos ao infinito
No sinal verde de entrequadra

Doce Lúcio, doce utopia
De cobaia de cidade!
Doces palácios transversais
Insubordinados à gravidade

E fino Oscar, que ao partir
Como ninguém, deixa impresso
O traço que desafia o peso
E a teimosia do concreto:

traço que literalmente
Carregamos entre as luas
E que impede que as fechemos
Enquanto Oscar descansa as suas

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