3 de fevereiro de 2013

profecia


Consentimos em dormir um ao lado do outro e isso pressupôs um espectro enorme de confiança. Supomos não haver uma faca debaixo do travesseiro do outro. Supus não haver pragas nas bordas de suas feridas. Você supôs não haver ruídos cruéis no silêncio de minhas intenções. Supus não haver sujeiras relevantes debaixo das suas unhas. Você supôs não haver quaisquer sujeiras debaixo das minhas. Supus serem toleráveis suas intolerâncias. Você supôs ter paciência e habilidade contra meus ímpetos de gula. Você supôs incompetência nos homens que vieram antes. Eu supus despreparo em suas mulheres. Supus interrupção na sua promiscuidade. Nós supusemos famílias cooperativas. Nós supusemos vantagens. Viagens. Você havia suposto meus seios. Eu supus o desenho dos pelos do seu peito. Você supôs vertigem ao me olhar numa noite de Natal. Eu supus a combinação feliz dos nossos cromossomos num rostinho humano. Você supôs cores dentro de uma geladeira que eu viria abrir. Nós supusemos nossa habilidade em lidar com o que não supúnhamos. Em tudo acertamos. Meu único erro, subestimar o caráter de suposição de tudo. E o seu, ter escarnecido da possibilidade da faca.

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