24 de fevereiro de 2013

- Sim.


- Seu maior rancor é correlato ao amor que não passa.
- Não, acho que é por causa das brigas, da agressividade dela.
- Seu tom geral de ressentimento não se dirije a tudo que deu errado, mas à dor por não possuir mais tudo que deu certo.
- É, alguma perda tem sim.
- Confesse, pelo menos entre nós. Seu ódio é sua admiração.
- Ela vai longe.
- Pois é.
- Mas tão longe, tão longe, que não vou conseguir mais enxergar.
- Melhor assim. Não?
- É um atestado de fracasso. Quando acompanhamos com a vista um pássaro até entender que já não o acompanhamos mais, e que estamos mirando um ponto qualquer no fundo azul como que enganando a nós mesmos de que ainda o possuímos contra os olhos.
- Sim.
- Penso que neste momento o que acontece é que o pássaro interrompe seu vôo. Morre. Vira nada. Ele não prossegue até um ponto onde não mais conseguimos ver. Ele simplesmente desaparece.
- É o que acontece, na realidade.
- Mas não se pode odiá-lo por isso?

Um comentário:

  1. ele ainda tá voando... e por isso se pode odiá-lo!

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