3 de fevereiro de 2013

tua língua ensebada

Tua mente não se cala
Ela é feita do rejunte
Entre cada corpo humano
Educado na palavra
Não consegue ficar só
A linguagem não permite
Ela é feita de um mundo
Tanta voz e tanta gente
Que o silêncio é um olho
Frenético e indecente
Numa terra de ceguetas
Que tateiam no escuro


Tua mente não se cala
Ela é feito uma maluca
Gritando pela rua
Toda suja e toda nua
Tudo tudo te acomete
Como cegos esbarrando
Até tocarem o muro
Da tua língua ensebada


Tua mente não se cala
Teus esforços todos vãos
Ela vaga inconsequente
E se instala no pulmão
Da pura irrelevância
Que respira aliviada
Pela pausa dos sentidos


Tua mente não se cala
Justo quando se lhe pede
Quando dizes que não pensas
Quando pensas sobre nada
É aí que justamente
Tua mente não se cala

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