17 de abril de 2013

arribamento de saia

Diz que o amor invade tudo
Feito água pela fresta
No botequim do Zé
É a tal mulher imodesta
E na casa da gente
Aquela visita indigesta

Diz que do nada ele dá
Que nasce feito fruta
Acidente inescrutável
Destino, karma e luta
Tipo relâmpago na árvore
Brusquidão absoluta

Diz que amor caipira
É de todos o mais real
Diz que dispensa tudo
É simpleza sem igual
É arribamento de saia
Até a morte natural

Diz que amor jovem
É o mais incompetente
A vida tem de parar
Pra paixão adolescente
Em três meses ele finda
E deixa a moça doente

Diz que amor velho
É pacato e agoureiro
Ninguém ama, ninguém xinga
Vivem um feliz atoleiro
Cada um apenas torce
Pro outro morrer primeiro

Diz que amor entre mulher
É coisa bem complicada
Muita história com amiga
E calcinha pendurada
Diz que beija e no outro dia
As menina já tão casada

Diz que amor entre homem
É prático e nada avaro
Que dão muito e comem bem
E dizem sempre que amaram
Que é mais difícil ter neném
Mas tão lutando contra Bolsonaro

Diz que amor homem-mulher
É de todos o mais pior
Por lei pode e até deve
Mas na prática é o ó
Diz que filho é que segura
Mas depois que dorme é melhor

Diz que amor divorciado
É faca de dois gumes
É guerra fria, ninguém admite
Até que uma gravidez assume
Aí vem a escalada final:
Foda de despedida é o cume

Tem também amor arranjado
Até hoje diz que tem
Acontece entre os milionários
E desabrigados do Xerém
É o amor das circunstâncias
Que é ruim com e pior sem

Do amor não sei contar
Só sei do que dele se diz
Não sei se sobrevive a tudo
Ou se vive por um triz
Minha ignorância te suplica:
Vem me educar nesse infeliz

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