23 de maio de 2013

eles não vivem

Toda dramaticidade é um pouco inoportuna
Que a deste poema seja perdoada

licença:
Por um feliz arranjo de acidentes
a vida orquestrou em silêncio
que hoje eu me sentasse à janela oeste
de um avião
às cinco da tarde

Voava de Minas

Além das belezas de sempre, incólumes de repetição, que testemunhamos
às janelas avaras de aviões

Assisti ao sol se pondo
sobre Brasília
Desde uma perspectiva acima do horizonte
Eu voltava pra casa
O céu mudava de cor, embaixo de mim

O sol foi redondo até se esparramar em cores sobre a linha côncava que supomos ser a pele da Terra
Ele acaba à revelia do que acontece na superfície do mundo,
independente das luzes, das horas
Autônomo, meio lírico
Me fez lembrar alguns poetas que conheço

Eles não vivem (suponho)
Derramam-se

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