23 de maio de 2013

som algum

Calada da noite
Grita dentro da mente do poeta
Uma criança de cuja boca
Não sai som algum

No burburinho do dia ele
molha o rosto, parte os cabelos
Lembra-se do sonho
Quer dizer 'ai' mas a voz ainda dorme e ele é permissivo com o sono da língua
Não se sabe se por sensibilidade ou mau humor

Decide escrever (era mau humor)
Lembra da bocarra
Da criança
Do silêncio
Vai pro analista e
acredita agora ter entendido o que o silêncio gritava

Paga caro pela palavra que ele repete no elevador
'mãe'
'pai'
Sabe-se lá,
cada um que segure na boca sem som sua própria palavra

Assistamos a imagem do preciso momento em que o júbilo interpretativo assassina o poema:

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