14 de agosto de 2013

como faço

Quando vou te ver, te olhar, não sei. Quem sabe? A dúvida é também o que me apega. A possibilidade, sempre ainda viva, sempre ainda aqui, de que a gente nunca mais se veja. E a contrapartida: a de que nos vejamos ainda esse mês.


A imensidão do futuro me acossa, eu me encolho. Minha vida vasta, talvez, tantos anos à frente, talvez, e sua participação incerta. Sua presença numa esquina involuntária apenas, um aceno simples, alguma surpresa, de um lado. De outro, sua participação todos os dias, na paternidade dos filhos eventuais, nos acordos tácitos do casamento, na redistribuição mais íntima de todos os meus investimentos.


Não saber de você. Não ter notícias suas. Ser possível que elas sejam as melhores, ser possível que haja uma nova mulher, ser possível que você esteja sofrendo, na nossa distância, mais que eu. A infinitude de versões da sua vida me esmaga. É como se eu tivesse sido jogada em qualquer ponto do universo com uma parafernália de astronauta que não me permite morrer logo. Um ponto sem gravidade a partir de onde eu veja, se procurar um pouco, e sem realce, a Terra. E pense, no desespero mais privado, em como faço pra voltar.

Um comentário:

  1. Sem palavras... Sou teu fã! inteligenthessa! :)

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